Muitas vezes utilizados como sinônimos, termos apresentam diferenças conceituais importantes. Saiba mais sobre essas estruturas provisórias.

O cimbramento é uma estrutura de suporte provisória, composta por um conjunto de elementos que apoiam as cofragens horizontais

Quando se fala na confecção de estruturas de betão moldado in loco, é bastante comum o uso de termos como escoramentos e cimbramentos para referir-se à estrutura que apoia as cofragens e suporta as cargas atuantes. Tais nomenclaturas, no entanto, reservam algumas diferenças conceituais que merecem ser esclarecidas.

O QUE É ESCORAMENTO?

A norma para Cofragem e Escoramentos para estruturas de Betão de Concreto – Projeto, Dimensionamento e Procedimentos Executivos traz algumas definições importantes. De acordo com o texto normativo, os escoramentos (sistema de prumos) são estruturas provisórias com capacidade de resistir e transmitir às suas bases de apoio todas as ações provenientes das cargas permanentes e variáveis resultantes do lançamento do betão fresco sobre as formas horizontais e verticais, até que o betão se torne autoportante.

O QUE É CIMBRAMENTO?

Mais abrangente do que o escoramento, o cimbramento (Cimbre) é uma estrutura de suporte provisória, composta por um conjunto de elementos (Torres de Escoramento) que apoiam as cofragens horizontais. O cimbramento também é dimensionado para suportar as cargas atuantes (peso próprio do betão, movimentação de operários e equipamentos etc.) e transmiti-las ao piso ou ao pavimento inferior. Ele refere-se a todo o conjunto que envolve o escoramento e a criação de bases e travas. Normalmente, o cimbramento é composto por:

• Suporte: prumos e torres

• Trama: vigotas principais (conhecidas também como longarinas) e vigotas secundárias (conhecidas também como barrotes)

• Acessórios: peças que unem, posicionam e ajustam as anteriores

“É interessante notar que o escoramento cumpre a mesma função que o cimbramento. A diferença é que sua estrutura é mais enxuta”. Em projetos de cofragens, o escoramento geralmente tem a proposta de simplificar a montagem somente com prumos, ou seja, sem quadros, travamentos, diagonais.

“Os escoramentos (Prumos) são equipamentos com vantagens produtivas para melhorar a produtividade da montagem da mão de obra, especialmente no sistema de cofragem de lajes”. Um exemplo de sistema de escoramento para vigas são os suportes tipo T metálicos, sem torres.

ESCORAMENTO REMANESCENTE

Assim como ocorre com os escoramentos e os cimbramentos, outra nomenclatura que costuma despertar dúvidas entre os profissionais da construção é o escoramento remanescente. Composto por prumos pontuais que compõem um sistema totalmente independente do cimbramento, o escoramento remanescente é definido como “estruturas provisórias auxiliares, colocadas sob uma estrutura de betão que não tem capacidade de resistir totalmente às ações provenientes de cargas permanentes e/ou variáveis, transmitindo-as às bases de apoio rígidas ou flexíveis.”

Cimbramento, escoramento e escoramento remanescente têm, portanto, funções diferentes. “Os dois primeiros servem para suportar a montagem das cofragens, a sobrecarga de serviço e a betonagem, até o início do endurecimento do betão. Já o escoramento remanescente, também conhecido como reescoramento, é projetado para permitir que o cimbramento ou o escoramento seja retirado com segurança”. A ressalta que o escoramento remanescente permanece suportando cargas até o plano de retirada dos prumos, o que geralmente ocorre após 28 dias da betonagem.

CUIDADOS NO DIMENSIONAMENTO

Cimbramento, escoramentos e escoramentos remanescentes podem ser de madeira (bruta ou serrada), de metal (aço/alumínio) ou mistos, com elementos metálicos e de madeira.

Em todos os casos, o dimensionamento deve ser subsidiado por um projeto executivo que considere a sobrecarga e as características mecânicas dos materiais que compõem o sistema. As características do projeto estrutural, sobretudo o pé-direito do pavimento, o tipo de cofragem utilizada, bem como o planeamento da construtora e o ciclo de betonagem também impactam diretamente o projeto destas estruturas provisórias.

Vale destacar que erros nesse dimensionamento podem implicar em falhas de betonagem e, em casos mais críticos, em colapso da estrutura.